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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Gaiolas

Desejo a você a liberdade
E pouca demora onde não se quer ficar
Que suas gaiolas sejam abertas,
Que sejam lugares de pouso
Para de novo voar
Desejo mais...
Que além de gaiolas, você cultive pássaros
Raros e livres, coloridos e selvagens
Que pousem em seus ombros
Ora com leveza ora com garras fincadas
E abram sua visão
Para tudo o que não se pode ver
Apenas enxergando

quarta-feira, 1 de julho de 2015

PERMISSÃO



Meu Deus
Permita que eu durma mais e melhor.
Mas que ao dormir, não seja consumida pela fuga,
mais que seja para meu prazer e minha regeneração.
Que minha alegria ao acordar seja pelo descanso merecido

Permita que eu medite, que eu cozinhe e que eu viaje.
E que no final, tudo seja reflexão e aprendizado
e entrega

Permita que eu seja a observadora
Permita a mim, a compreensão
e não o julgamento.
E que nunca eu seja observada,
pelo outros, de forma leviana.

Permita que eu abrace
e que abraçando eu seja abraçada,
e quando abraçada,
eu entenda as linguagens não faladas

Permita que eu cuide da pele,
do corpo, do cabelo e dos afetos,
e que cuidando, eu seja cuidada.
E que me amando, eu seja amada.

Permita que quando eu sentir cansaço
No meio ou no final do dia,
que seja na maioria, por traquinagem
por correr na praia, caminhar ou brincar.
Ou porque ajudei alguém que precisava

Afasta de mim o cansaço da vida,
A visão cinza...
As lágrimas das prisões veladas,
e a revolta das prisões impostas

Permita que não compre mais do que necessito,
Que a simplicidade me traga alegria e paz
Que a simplicidade seja minha evolução

Liberta meu espirito das vaidades vãs
Do elogio falso e das bajulações.  

Acalenta minha alma
Dê a mim a oportunidade de pisar na grama
Numa tarde de quarta feira,
ao invés de vender meu tempo.

Nunca tire de mim a sensação da gratidão.
Que me invade e me comove.

Me faça existir neste tempo.
Dissolve a preocupação inútil,
com um tempo que ainda não existe
ou que já passou...

Que eu sinta inveja só do beija flor,
que mete seu bedelho somente na flor,
e que quando respira, existe,
é só.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

COLARES

Amigos são anjos enviados.
As vezes a gente escolhe.
As vezes eles nos escolhem.
As vezes eles vem de lugares.
As vezes eles vão aos lugares.
As vezes eles vem e vão.

E quando vem do nada,
Do  improvável.
São mais bem vindos.
Porque só são.

Tenho amigos que conquistei.
Amigos que me conquistaram.
Amigos que apareceram,
Das afinidades, dos sorrisos,
Da gentilezas gratuitas.

Imagino sempre meus amigos,
Como um colar de pérolas.
Cada um diferente do outro.
Mas iguais por serem amigos.

Todos amigos,
Assim como as perolas,
Que formam o colar.

Como se fossem pérolas,
A qual teria orgulho.
Por poder chamar de minhas.
Vejo os meus amigos; Meus.
Meus colares.
Raros.
Preciosos Amigos. 
Preciosas Pérolas.
 .

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Gato de Bruxa




















O gato olhou pra mim
Com cara de cachorro sem dono
E eu, inocente acreditei
Que bicho felino também podia
Em qualquer domingo de dia
Ter sua dose de apatia

Dei casa comida e água
dei meu sofá e roupa lavada
E o desgraçado na primeira escapada
De uma fresta de janela diurna
Esquecida por estar emperrada
Se foi sem olhar pra traz
Por cima de uma sacada

Eu já sabia na vida que
Amar felinos, artistas e poetas
É sofrer de mal de abandono

De mal de saudade

A essa altura da vida
Sem resquício de amor próprio
Na hora em que o gato retorna
Sujo, maltrapilho e com fome
Eu uso um dos seus três nomes

Pra me consolar que agora
Além de mulher que labora
Sou mulher de malandro
De gato safado
Que fingindo algo implora

Bruxa do dia!
De felino branco
Insuportavelmente
Livre

terça-feira, 24 de junho de 2014

FALTOU LUZ NO INTERIOR







Faltou luz no interior
No dia da fogueira de São João
Mas quem precisa de luz lá dentro
Quando a luz está lá fora
No fogo que alimenta as brasas  e as intuições
Que aquece os corações as amizades e os afetos

O fogo, a terra, a água e o ar
Os elementos da vida
Que sustentam à matéria, o espírito
Os sonhos e as magias

Só quem está habituado ao conforto
De um banho quente, não de água de pote
Ou de uma tomada disposta
Percebe o quanto estamos presos
A tudo o que não se precisa

Hoje faltou luz no interior
As cadeiras nas calçadas
A viola e o violeiro
Os fogos, os rojões e as crianças
Na tradição de seus avos
Recebem de presente de São João
A benção de viver por horas
Na simplicidade e na amizade

Faltou luz e não era dia!!!

Feliz solstício de inverno!!
Feliz fogueira de são João!!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

MOBILE SAMPA



Alvorada feita de luz
E na falta dela, todos os gatos,
são pardos e remotos.
Os rostos também,
No escuro, desconhecidos...
A fachada quando moldura é poesia.
Em forma de imagem,
Que olhando de cima, desce
e olhando de baixo sobe.
Depende de quem vê.
E ver, é sorrir com os olhos.
Sorrir por dentro,
e por todas as razões,
Que não seja o desespero.
Porque a vida passa, não só na hora,
ou no trem que se perde.
Mas em tudo que não se acha.
A vida passa, porque viver é outra coisa.



Escrita sob inspiração das imagens do Arquiteto mais Fotografo que conheço, Léo Hatanaka
http://mobilesampa.blogspot.com.br/

sexta-feira, 26 de abril de 2013

LUGAR COMUM





LUGAR COMUM



Entrei pela porta.
Cá estou eu.
No mesmo lugar, onde jurei não voltar mais.
Saí daqui no escuro e no frio.
Mas agora está claro e quente, mas ainda é o mesmo lugar.

No claro ou no escuro a percepção é a mesma,
Ou melhor, a falta dela é a mesma.

Aqui no claro a claridade é tanta que ofusca, cega a visão do que tem aqui. E tem hora que tudo vira sombra do que esta lá fora.
Mas lembro que a pouco, lá fora no escuro absoluto, o excesso de visão era tão grande  que dava pra ver a alma.

Ao menos o vazio no estomago é o mesmo, para dentro e para fora.
Mas dentro,  respiro mais e melhor e mais fundo. Porque o ar aqui é quente, na medida que conforta.

Tudo está fora do lugar quando estou nesse lugar.
E tudo vai para seu devido lugar quando saio desse lugar. Fecho as portas. Sempre!! Tenho esse cuidado, mas quando olho de novo as portas estão abertas, e as gavetas escancaradas. Volto para cá, sem entender quem abriu as portas; Tenho problemas com chaves, sempre as perco.

Sento na cadeira confortável do meu inconsciente, e logo sinto a inocência de quem deseja brincar com um animal selvagem o assombro de quem chega e encontra tudo aberto e revirado, e a segurança de quem tem muito, muito poder.

Mas cá estou, me sentindo em casa, entrei pela porta da frente, do mesmo lugar que abandonei amaldiçoando e desejando ser engolido pela poeira.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O ROTEIRO E A CENA

22/03/12

Havia uma flor no meio do caminho, no meio do caminho havia uma flor... E antes que eu a percebesse, dois segundos antes, uma pessoa se abaixou e a pegou, dois segundos  antes daquela pessoa romper o  ponto de intersecção do nosso encontro de  caminhos anônimos cruzados.

Aquela pessoa  a quem não lembro mais a fisionomia, se escondia  atrás de um par de óculos escuros e grandes o que provavelmente ofuscou o brilho do vermelho da flor, ela aparentava o dobro da minha idade ao julgar pela cor de seus cabelos, sem me dirigir uma palavra sequer,  disse que: a minha idade não é tão pouca assim para ignorar uma flor, apesar da cor dos meus cabelos.

E apesar também do sol alucinante que  faz as pessoas andarem com o nariz recolhido em direção a testa e a respiração pesada, vi naquele rosto, uma expressão de agradecimento, uma pequena contração que sugeria um sorriso discreto no canto da boca quando a flor foi delicadamente arrancada do concreto e levada ao nariz,  ali de longe absolvida pela delicadeza da cena que se desenrolou na minha frente e em  frações de segundo, tentei imaginar um cheiro e não consegui...

Uma pessoa a que não lembro mais a fisionomia, de óculos de sol e cabelos brancos  se curvou e se abaixou, quase numa reverencia  para  recolher uma flor que estava no chão,  imperceptível  ao não ser por ser vermelha, ao menos para mim que estava sem óculos o que me sugere que a cor não era a mesma para nós duas, mais sendo vermelho em qualquer escala, tom e brilho é o mesmo,   o  que desperta os sentidos de sobrevivência de qualquer animal.

Uma cena pseudo-sentimental acrescido de romantismo, um momento em um tempo em que as pessoas não se abaixam nem para recolher moedas perdidas julgando que o valor ali  exposto no chão, não compensa o esforço  cervical desperdiçado.

Uma cena isolada do dia, em que aconteceram milhares de outras coisas mais importantes

Mas a mesma flor, no meio do caminho, ocupando o mesmo lugar das pedras que atrapalham, já morta, colhida ou arrancada e por isso sem nenhum valor, foi percebida , no meio do caminho como pedra para alguns,  cena para outros e para poucos  como um presente do dia.

Mas  deixando as pedras de lado, porque agora elas não importam muito, esclareço  por parte da flor que se ofereceu ,  elegantemente no meio de tantos olhares  levianos e que antes de secar com o sol quente ou ser pisada, (por pouco, por mim mesma!) emprestou seu último cheiro e sua ultima cor a quem passava que: O presente é digno  para aqueles que entendem que visível, perceptível e invisível é uma coisa só e podem ocupar sim o mesmo lugar no espaço, pelo menos pra que não enxerga só com os olhos e mesmo assim vê.

Fora isso é só uma cena mesmo concordo, com um roteiro romântico